De volta ao tronco.

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Faz uma semana que voltamos as atividades na escola. Apesar de hj ser o 3o dia com  alunos, sinto-me bastante cansada pela correria que tem sido na escola para dar conta de organizar tudo para esse ano novo.Infelizmente nem tudo depende de mim, mas eu tb nao sou um exemplo de organização, mas tenho buscado dar conta dos meus afazeres mesmo que agora no inicio eu precise chegar mais cedo, sair mais tarde ou trazer alguma coisa pra casa.Agora é repirar fundo e seguir adiante.

Desacelere: respeite seus limites

Poderia desejar não lembrar que essa última semana, referente ao trabalho, existiu. No entanto, ja com a cabeça fria e coração sem taquicardia, consigo analisar melhor os fatos e chegar na seguinte consideração: desacelere aneleh, respeite seus limites. Ja basta trabalhar 10 horas por dia, ter milhares de funções a exercer dentro do meu cotidiano, ainda ter jogo de cintura com o imprevisível, que é previsível sempre contar com ele. Chegar num ponto de stress a beira de um surto, a beira de uma licenca médica. Não vale a pena, o meu trabalho nao é visto como fim, e sim meio, ponte, para uma vida que eu quero ter, que vai me proporcionar seja profissional ou pessoalmente.

Respeitar os meus limites é fundamental pra minha saúde, para o meu rendimento, para a minha qualidade de vida, enfim, para tudo que isso precisa para conseguir ou conquistar  outras coisas…

 

 

O surto

Ontem me deparei com uma situação inédita na escola. Fui chamada para ver um caso de um aluno da 1ª série que estava surtando na aula de artes, havia derrubado a cadeira e a mesa no momento que entrei na sala, e estava correndo atrás de alguns alunos para bater. Precisei segurá-lo para não agredir os colegas, mas ele resistia tentando se soltar de mim e me dando chutes nas pernas.  Então segurei-o por trás e com muito custo consegui tira-lo da sala de aula. Pedia com voz suave e baixa para ele se acalmar e me dizer o que havia acontecido, mas ele não queria me ouvir. A medida que eu tentava conversar com ele, recebia chutes e socos do aluno. Somente me dava uma “folga” quando sentava-se e com a cabeça baixa chorava. Coloquei então na minha sala, e precisei trancar a porta, pois como estava muito nervoso, não sabia o que mais poderia fazer ou agredir. Jogava as minhas coisas, chutava a lixeira  e ao me ver vencida por ele, deixei-o sair. Foi então, que no corredor ele se sentou novamente pra chorar, e a professora da sala em frente a dele vendo e ouvindo seus gritos e suas agressões tentou fazer carinho nele, para que ele se acalmasse, mas novamente foi em vão, e assim tb fez a diretora e a pedagoga da turma do aluno.

Pouco tempo depois, horário da saída, a avó do aluno foi buscá-lo na sala. A minha sorte foi ques eus colegas ja haviam ido embora e só fui saber que aquela senhora ia buscá-lo quando se aproximou ao ve-lo na minha sala, que para a minha surpresa ja estava totalmente calmo, sem gritos, sem choro, e ao buscar a sua mochila na sala, ainda me avisou que tinha uma mochila esquecida por algum colega da turma.

Aproveitei a presença da avó para contar o que havia acontecido com aquele aluno. Ela ficou sem graça,principalmente por saber que ele havia me agredido, mas eu estava realmente preocupada com ele, pois nunca havia visto esse aluno assim antes, e por ter vindo do CEMEI e eu nao saber do historico dele, pedi para que ela conversassecom ele em casa, para ver se ele contava o que havia acontecido ja que a minha tentativa foi em vão. Ela ainda disse que se mae soubesse ia acabar batendo nele, mas pedi para conversar com ela, e nao fazer isso, pois nao sabiamos o que estava acontecendo com ele, de repente estava pedindo ajuda, daquela maneira…

Hoje, a mãe do aluno foi a escola conversar comigo. Ela me disse que essa é a segunda vez que age daquela maneira…a primeira foi no CEMEI, ano passado. Acha que isso pode estar atrelado ao fato dela estar desempregada há mais de um ano, e nao poder dar as coisas que ele quer, mas contou também que ele chegou em casa dizendo que bateu em 4 alunos pq eles ahviam batido nele primeiro, e eu falei que ia apurar essa situação.

O que me chamou atenção foi o fato dela me dizer que passa necessidade, que a avó do menino ajuda, que o pai nao quis nem registra-lo q a unica vez que tentou correr atras da pensao na justica, a avó paterna quis tomar o menino dela, e ela como esta desempregada, correria o risco de perder a guarda do filho por alegarem que nao tem condições de sustentá-lo.

Daí fiquei pensando… quem é a pessoa mais agredida nessa história? A minhas pernas estão doloridas, alguns hematomas aparecem…meus braços também doem pois, tentei segura-lo firme, porém sem aperta-lo para nao machuca-lo. Mas essa criança de 7 anos, desde que nasceu é agredida pelas más condições sociais que está inserido, pelo querer está muito distante do poder…

Além disso, me fez lembrar também de quando um amigo em BH levou um soco de um mendigo, quando andava na rua. O mendigo acertou o seu rosto, que ficou com a região do olho roxo por semanas, e continuou a caminhar como se nada tivesse acontecido, se quer olhou pra tras, e o meu amigo, sem entender na hora o que estava acontecendo, ao contar pra gente  o fato ocorrido com ele, dizia ” todo mundo tem que levar um soco de um mendigo”.