Desde Buenos Aires

Cheguei a Buenos Aires ontem; dia dois de janeiro…tenho o teclado totalmente desconfigurado. Ontem fiz so o reconhecimento de territòrio, estou num hostel, na rua florida, esta rua de pedestres com comercio intenso. A cidade eh muito bonita e faz bastante calor. O sol se poe depois das 9 horas da noite, portanto, da para aproveitar muita coisa por aqui.

O hostel esta cheio de brasileiros, parece que nem sai do Brasil, mas deu pra conhecer tb espanholas e ainda pouco conheci uma australiana.

Hoje, domingo, fui fazer um passeio bem turistico a pe…fui ao obelisco, a praça de maio e a casa rosada, tirei muitas fotos e deu pra imaginar um pouco as revoltas que ocorreram por aqui ha menos de dois seculos atràs.

Agora vou ler um pouco, adiantar os textos para a primeira aula amanha.

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Um upgrade da minha vida

Bien, nos ultimos dias dediquei-me a arrumação da mala para viagem que farei no segundo dia de 2010. Esta viagem terá como destino Buenos Aires onde ficarei por 3 semanas, sendo que duas dedicada às aulas do curso de mestrado em educação na Universidad del Salvador, e uma semana para passear, ja que as aulas consumirão a maior parte das horas de cada dia. Ja garanti a minha entrada para o show do Metallica, que considero clássico e nostálgico ao mesmo tempo. O show será no estadio do River Plate, dia 22 de janeiro. Como todo anarquista que tem a militância correndo nas veias, tb já entrei em contato com um grupo local Red-Libertária, que temos (FARJ) uma relação orgânica, para conhecê-los pessoalmente, levar algum material e participar de alguma atividade que houver. Tano, um membro que respondeu gentilmente o meu email,  disse me que estão organizando alguma atividade no mes de janeiro, q segundo a historia do movimento anarquista em buenos aires comemora-se alguma data importante nesse mês.

Nos intervalos de arrumação e organização dos detalhes da viagem, dediquei-me a leitura do livro Mujeres Libres escrito por Margareth Rago e Maria Clara Pivato Biajoli, que conta a história do grupo feminista Mujeres Libres e sua participação na Revolução Espanhola entre 1936 e 1938. Mulheres feministas, anarquistas,classistas a frente do seu tempo, lançavam periodicamente informativos do mesmo nome do grupo com textos polemicos, dedicando especialmente a libertação sexual da mulher, defendendo idéias como amor livre, matrimônimo e maternidade como opção, aborto, enfim, temas que levassem e contribuissem para emancipação da mulher espanhola e de todo mundo. Além disso o grupo oferecia oficinas de capacitação para inserção do trabalho para mulheres, um liberatório de prostitutas, para mulheres que quisessem sair dessa vida, com apoio psicológico, econômico, e aprendizagem de atividades rentáveis para inserção no mercado de trabalho e independencia. Mujeres Libres contribuiam para construção da consciencia classe e da condição de submissão que as mulheres se encontravam naquele momento aos homens, fossem eles pais, maridos, irmãos até mesmo companheiros de luta, além da libertação sexual, na qual elas pudessem viver e amar de forma livre, sentir prazer com quem quisesse, longe da idéia de sexo so por reprodução como circulava e influenciava diretamente no comportamento das mulheres na época. Quando eu terminar a leitura vou fazer um post dedicado a essas mulheres a história belissima que poucos tiveram oportunidade de ler e não faz parte da história oficial.

Falando em leitura, como proposta de estudo do grupo de apoio da FARJ daqui de Vitória, li o livro Apoio Mútuo de Kropotkin. Este livro belissimo, fala sobre a ajuda e o apoio mútuo entre várias espécies de animais, mas essa parte que o livro se dedica eu não me prendi, mas vale a pena conferir…e a ajuda e apoio mútuo ao longo da história e “evolução” dos seres humanos, desde os “selvagens”, passando pelos “medievais” até os “nossos dias” (lembrando que foi escrito no século XIX, importante ter idéia do contexto da época). Kropotkin procura fundamentar suas idéias a partir de experiencias de observação antropológica, de tribos, aldeias, de várias partes dos continentes, defendendo que desde sempre os sers humanos viviam em aldeias, tribos, tinham sentimento de coletividade e solidariedade mútua. Um dos exemplos que o autor cita é sobre a apropriação da  terra  e que esta podia ser explorada por todos, mas aquilo que era plantado pertencia a quem plantou, em tempos de colheitas, se alguém tivesse tido prejuizo na sua safra, na época da colheita, poderia, tinha o direito garantido por todos,de pegar parte do que do monte colhido por outrem, para não passar necessidades. É realmente lindo e surpreendente este livro, vale a pena conferir.

No mais sigo com as minhas arrumações, leituras prazerosas e obrigatórias que estão por vir devido ao mestrado.

Estou ansiosa pra sentir o calor de Buenos Aires.

Ao longo da viagem espero encontrar tempo para quem sabe contar as minhas peripécias por la e curiosidades.

cartas, zines e demotapes

Quando assisti as entrevistas do projeto “hardcore-mémoria”, desenvolvido pelo Marcelo Fonseca – que pode ser conferido aqui – me fez voltar ao tempo e pensar/lembrar de como o hc foi tecido aqui no Espírito Santo.

O primeiro show que assisti ( já começando ter a idéia de punk-hc) foi quando o hancenyaze tocou pela primeira vez, num Centro Comunitário no bairro Vila Nova, próximo ao meu, juntamente com Harmonia Turbulenta e Dr. mobral. Eu tinha 13 anos (1994). Daí pra frente não parei mais…mas o sentimento de “cena” hc, ficou mais claro pra mim quando os shows passaram a acontecer com mais frequência no bairro Barra do Jucu, no Brega´s bar, no Bar do Roni e logo depois no Guetto. O Guetto era do Fabrício, vocal na época do Gritos de Ódio e Ponvéi. Uma garagem adaptada, com palco e bar. Lembro que antes dessa transformação toda, costumava assistir os ensaios do Gritos de Ódio lá.
Nesses espaços e no antigo circo da UFES bandas locais, de outros estados e países, tocavam com frequência. Nessa época já circulavam alguns zines feitos por pessoas daqui, lembro bem do “Berro”, feito pelo Ramon e Tadeu, além dos que nos era mandado de outros estados. Costumávamos nos corresponder com pessoas de diversos lugares, trocando idéia sobre as nossas “cena local”, zines, bandas, enviando dinheiro malocado dentro da carta para comprar a demotape de bandas de amigos e divulgar em nossa”cena”, assim como os zines também. O primeiro que li foi o Friendship, que o Felipe de BH fazia. Foi ele também quem me deu idéia pela primeira vez sobre straight edge (postura essa que assumi por 11 anos) e o veganismo, postura que adoto até hoje. Nessa época, já com uns 15 anos também fiz, junto com Ana Cláudia e Ana Lúcia um zine, que so teve uma edição, chamado “Dê uma chance”, nome inspirado numa música da extinta banda Rethink, de SP.
Quando as bandas eram gringas, aproveitávamos aqueles amigos que tinham uma condição mais favorável para comprar cds via internet, e gravávamos em k7.
O incrível dessa época é que recebíamos pessoas em nossas casas de outros lugares sem ao menos conhecê-las pessoalmente, bastava apenas trocar algumas cartas e saber que fazia parte do mesmo meio que a gente. Da mesma maneira acontecia quando íamos para outros estados. Costumava pensar se isso acontecia com tanta confiança e segurança em outros meios, fora do nosso. Era encantador, mágico. Algumas pessoas que conheci nesse tempo são minhas amigas até hoje, e muitas delas, como eu (e falarei disso mais embaixo), já não mais se sentem parte do hc, mas a amizade se solidificou de tal maneira que não precisamos mais do hc como elo.
No entanto, não posso deixar de colocar aqui a importância do hc para a minha formação pessoal e política. Pelas letras das bandas refletíamos sobre questões sociais, políticas, levantávamos bandeiras, criticávamos outras. Os zines também, a maioria “pessoal e político”, também foram uma contribuição fundamental para essa tessitura.
E com o espirito de “cena” dentro de cada um de nós, buscavamos aprimorar cada vez mais aquele espaço. No Guetto, aos domingos assistíamos filmes e depois discutíamos sobre as idéias que traziam.  Foi lá a primeira vez que assisti o 1984 e o Germinal.

Num postinho de gasolina próximo a minha casa, no bairro Itaparica, nos encontrávamos e conversávamos informalmente sobre shows, bandas, hc. Lembro uma discussão que fizemos a respeito da violência que estava frequente nos shows, e com sentimento de pertencimento e responsabilidade daquele espaço, pensávamos em como erradicar isso. Além disso, com essa contribuição política, montamos coletivos e eventualmente faziamos algum tipo de manifestação, contra o mc donald´s por exemplo, divulgávamos a situação de Timor Leste que sofria uma ditadura horrível da Indonésia e vibrávamos com os zapatistas no México e Tupac Amaru no Peru.
Com a popularização (processo bem lento, na verdade) da internet em pc´s por volta de 95/96, deu início a substituição progressiva das cartas pelos emails e chat no mirc, especialmente no canal “straight-edge”. Ainda assim, até 2000 eu tinha alguns correspondentes, mas quando me mudei pra BH, fui perdendo o contato a medida que me mudava de casa.
Pelo chat do mirc no canal que citei acima, também fiz grandes amizades que perduram até hoje. Mas a minha relação com o hc nessa época já estava mudando. Em BH, me uni a um grupo que não se sentia satisfeito em viver o hc pelo hc, e como nessa época o hc não supria tanto as nossas expectativas no campo político/crítico, principalmente, agíamos fora dele. Com isso, fizemos o carnaval revolução, evento que reunia pessoas e grupos autônomos de todo país e outros países na época do carnaval, com uma programação que envolvia bandas, debates, palestras, vídeos, oficinas…tudo no espírito do Faça Você Mesmo, que conhecemos e nos apropriamos no punk-hc, e que até hoje norteia nossas ações. Criamos o Gato Negro (biblioteca pública e libertária, com café vegetariano), faziamos intervenções no Dia sem Compras e em outras ocasiões que achávamos pertinentes.
Daí pra frente, mesmo frequentando shows, viajando para verduradas fui perdendo as esperanças do hc voltar a ser aquele que tinha um aspecto de “cena”, que eu convivia no começo. Mas, aqui no ES na mesma época, surgiu o La Revancha, um coletivo que organizava shows, no espírito do FVM e resgatando o melhor do hc, que era o espaço contracultural. Nesses shows rolavam sempre palestras, vídeos, alguns eram verduradas, e sempre que eu podia, vinha de BH para conferir e dar uma força aos meninos. O La Revancha existiu por alguns anos, mas com a sua extinção,voltou o hc pelo hc, e tudo era música.
Quando voltei a morar aqui, em 2005, tentamos montar um coletivo pensando em fazer ações dentro e fora do hc, mas não deu certo.
Com isso meu afastamento foi ficando cada mais maior, o meu envolvimento com grupos, coletivos, fez com que me sentisse completa, realizada, encontrasse a minha identidade, o hc já não conseguia mais fazer isso.
Em 2006 tomei uma decisão muito difícil, deixei de ser sxe. Depois de 11 anos. Como o sxe veio do punk-hc e eu me achava mais “punk” fora do hc, vi que não fazia mais sentido ser sxe. Na época estava um tanto confusa, com tanta coisa acontecendo, com tantos afazeres dentro dos grupos que fazia parte, com tantos projetos, que o sxe começou a se tornar insignificante na mesma medida que o hc. Uma conversa com o Rodrigo Ponce (vocal do Colligere), foi determinante para a minha decisão. Compartilhei com ele minhas angústias, meus conflitos internos, e a dificuldade de digerir o que o hc havia se tornado. Gravadoras/selos extremamente capitalistas, reproduziam o incentivo ao consumo, a relação patronal com as bandas dentro do hc, fora a competição com outros eventos, com outras distros e selos. Uma decepção. Nessa época uma das bandas locais que mais me influenciaram era uma sensação, super popular e havia ganhado outro público que consumia suas músicas, seus cds e seus shows extremamente caros.
Hoje, apesar da nostalgia que sinto quando lembro-me do hc que ajudei a construir aqui, e ter sido fundamental para ser o que sou hoje e fazer o que faço, consigo discernir e até curtir as bandas que hoje são bastante comerciais. Consigo ir num show local e curtir a sua proposta. Até mesmo organizar alguns shows de bandas de fora que temos o prazer de vê-las tocando por aqui. Isso se deve a clareza que tenho hoje sobre o hc e outros meios contraculturais que se prendem, se sustentam pelo comportamentalismo e estética, mesmo que tenham as melhores intenções do mundo, sem deixar de contar com a guetificação desses espaços, tornando-os inférteis.

Dessa maneira, não havia mesmo como ir muito longe como acreditava e almejava. As mesmas letras que fizeram parte da minha formação política me impulsionaram a trilhar um caminho – fora do hc – que desejasse e buscasse nesta mesma  sociedade a transformação social combatendo aquilo que tanto se criticava, e não viver paralelamente a ela, adotando uma postura individualista.

8 de março – dia internacional da mulher trabalhadora

300_0___20_0_0_0_0_0_revista_mujeres_libres Hoje, 8 de março, se comemora internacionalmente a luta das mulheres por terminar com  a opressão que continuamente tem exercido a sociedade patriarcal sobre nós.

No entanto, temos visto como a obsolência e os interesses econômicos e políticos da classe domintante  tem ofuscado e manipulado a origem essencial deste dia, que reace na mulher trabalhadora, estudante e colona, duplamente oprimida e explorada tanto por sua condição de classe como por sua condição de mlher.

Não nos conformemos com um dia fixo no calendário para reinvindicar e manifestar, que oculta a verdadeira origem desta luta e que voltemos a faze-la nossa, no dia a dia. É nossa tarefa como esquerda revolucionária não cair em atitudes de discriminação e exclusão com as companheiras, próprias das relações autoritárias das sociedades tradicionais e burguesas. E mais importante ainda  é derrubar a ilusão de que a paridade tem sido lucrativa, sendo que a opressão continua e não podemos ignora-la.

Artigo escrito pela Frente de Estudantes Libertários (FEL) da Universidade do Chile.
Leia o artigo na íntegra aqui.

Breve história de Zacimba Gaba

Zacimba Gabzacimbaa, princesa africana trazida para o Sapê do Norte no ES, para ser escrava. Quando seu Barão descobriu, a manteve trancafiada na casa grande. Zacimba foi trazida muito nova, mas soube esperar para se livrar dos abusos que sofria, junto com seus irmãos. Envenenamento foi sua arma, durante um longo período alimentou seu Senhor a conta gotas. Quando ele morreu, livrou seus irmãos e foi se aquilombar no meio da mata fechada do norte do estado do ES liderando várias revoltas e muitas vitórias para seu povo africano.


Há cerca de trezentos anos o fazendeiro português José Trancoso desembarcara no Porto de São Mateus, “com uma dúzia de negros de Angola na África, e “uma mocinha de feições finas e olhos esfumaçantes”, sem se dar conta que estava levando para a sua fazenda, aquela que seria uma das precursoras das lutas dos negros contra o regime cruel e desumano, que levou muitos Africanos a perderem sua honra, liberdade, pátria e até mesmo suas vidas, na região de São Mateus no Espírito Santo.
Crescendo em absoluto sofrimento e sobrepujada pelas açoitadas dolorosas, amarrada ao tronco, Zacimba foi uma negra que se diferenciou entre os seus, por se tornar uma libertadora e líder de seu povo Africano…Escravizado. (Texto baseado na historia “Princesa, Escrava e Guerreira” do livro Os Últimos Zumbis de Maciel de Aguiar.)

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Crescendo em absoluto sofrimento e sobrepujada pelas açoitadas dolorosas, amarrada ao tronco, Zacimba foi uma negra que se diferenciou entre os seus, por se tornar uma libertadora e líder de seu povo Africano…Escravizado.

Um breve histórico da luta e vitória das comunidades indígenas contra a gigante Aracruz Celulose no ES


Vinte e sete de agosto de 2007. Data que se tornou um marco histórico na vida e na luta dos povos Tupinikin e Guarani do município de Aracruz, norte do Espírito Santo. Dia em que foi assinada, pelo ministro da justiça Tarso Genro, a tão esperada portaria demarcatória dos 11 mil hectares de terras usurpados pela multinacional Aracruz Celulose nos tempos de ditadura militar. Após 30 anos do início da luta pela recuperação do território, o surgimento de uma nova geração de caciques Tupinikin e Guarani fez com que suas nações se capacitassem para enfrentar a multinacional e recuperar parte de suas terras. O total de terras tomado pela multinacional alcança 40 mil hectares, logo a recuperação não atinge toda área que lhes pertencia. No entanto, somados aos 7 mil hectares já homologados anteriormente, basta para os povos indígenas reviverem nessas terras suas aldeias e suas vidas. Mais três aldeias estão sendo finalizadas na área retomada. São elas as aldeias de Olho d´água, Areal e dos Macacos. Ao todo, o Espírito Santo abriga mais de 2 mil índios/as Tupinikin e Guarani, distribuídos/as em sete aldeias.

A cultura Tupinikin sofreu uma amnésia por força do massacre sofrido com a perda de suas terras para a Aracruz Celulose. Foram obrigados inclusive a negar sua condição indígena para evitar os maus tratos impostos por militares a serviço da empresa. O resgate da tradição indígena por parte dos Tupinikin possibilitou o retorno da luta pelos seus territórios, já que os Guarani jamais abriram mão dos seus costumes.

O reconhecimento dos 18 mil hectares de terras indígenas pela Fundação Nacional do Índio (FUNAI) contribuiu para a retomada do antigo território indígena. Em 2005, um novo laudo antropológico feito pela FUNAI atestando o direito dos indígenas foi divulgado, mas faltava ainda a assinatura da portaria para que as terras fossem devolvidas. Naquela época, a articulação contra a assinatura do (até então) Ministro da Justiça Márcio Tomas Bastos foi grande e contou com apoio da bancada federal capixaba, com restritas exceções.

No mesmo ano, cansados de esperar pela assinatura e publicação da portaria, as comunidades indígenas, com o apoio da Brigada Indígena, Rede Alerta Contra o Deserto Verde, FASE e movimentos sociais, autodemarcaram suas terras e reiniciaram a construção das aldeias.

Entretanto, em janeiro de 2006, alvos de uma violenta ação da Polícia Federal pela reintegração de posse a favor da multinacional, as comunidades indígenas tiveram duas de suas aldeias destruídas com tratores da própria empresa e 13 índios ficaram feridos. Lembro-me como se fosse hoje a indignação do cacique Jaguareté ao dizer “Hoje me senti caçado”, numa assembléia após o ataque da PF. Um helicóptero que sobrevoava a área fazia vôos rasantes, para intimidar a presença dos apoiadores e indígenas, que corriam para dentro do eucaliptal. Um índio ferido ficou perdido. Dois funcionários da FUNAI foram seqüestrados de seus postos de trabalho pela Polícia Federal e levados para a Casa de Hóspedes da Aracruz Celulose (onde curiosamente também estava alojada a PF), e lá foram forçados a assinar a autorização da ação para legitimá-la. Na noite daquele dia, todos nós que presenciamos e fomos vítimas da ação covarde sobre as comunidades indígenas, marchamos rumo a fábrica da multinacional para dizer que a luta não havia chegado ao fim, e que resistiríamos até que seus direitos fossem atendidos.

Em Brasília, a ação foi denunciada como extremamente violenta. Depois disso, os índios foram humilhados por meio de campanhas com outdoors e cartilhas difamatórias feitos por grupos e empresas associadas e lideradas pela Aracruz Celulose. Enfrentaram perseguições em suas próprias terras, foram desrespeitados durante toda a sua luta. Até o processo que já havia sido aprovado pela consultoria jurídica da FUNAI e do próprio Ministério da Justiça foi devolvido à FUNAI para uma nova avaliação. Na ocasião, foi pedida a conciliação entre os interesses econômicos da transnacional e o direito indígena. O pedido foi feito pelo ex-ministro Márcio Thomaz Bastos que com isso atrasou por quase um ano a assinatura da portaria.aracruzoutdoor

Em seus estudos a FUNAI reconhece que os índios capixabas têm direito aos 18 mil hectares no Estado, dos quais apenas foram demarcados 7 mil, por um ato arbitrário do ministro da justiça no governo de FHC. O ministro Tarso Genro, por sua vez, entendeu o mérito da legalidade e decidiu pela homologação da área delimitada. Dessa maneira os Tupinikin e Guarani conseguiram provar que estavam certos: a terra ocupada pela Aracruz Celulose é deles e ao contrário que propala a empresa, há sim índios verdadeiros no norte do Espírito Santo; que os eucaliptos da Aracruz Celulose escondiam uma história secular que a ditadura militar tentara apagar para dela expulsar seus legítimos donos em favor do capital.

Além das comunidades indígenas, comemoram a vitória e a devolução das terras aos seus verdadeiros donos todos/as que participam desta luta. Entre eles/as, os/as quilombolas, que igualmente lutam para recuperar suas terras invadidas pela Aracruz Celulose, no município de São Mateus, norte do estado do ES. A empresa detém 9 mil hecatres de terras já reconhecidas pelo INCRA e pela Fundação Cultural dos Palmares como sendo quilombola. Em julho de 2006 as comunidades quilombolas, juntamente com os mesmos movimentos e entidades que apoiam a causa indígena no estado, retomaram uma área ancestral identificada como um antigo cemitério, sobre a qual havia uma plantação de eucalipto que foi removida. Essa ação foi celebrada com danças e canções.

Fizeram parte direta ou indiretamente desta conquista o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), o Movimento Sem Terra (MST), a Rede Alerta Contra o Deserto Verde, a FASE, A Brigada Indígena e outras entidades. A Brigada (grupo majoritariamente formado por estudantes universitári@s, trabalhador@s e apoiador@s da causa indígena) organizou várias visitas às aldeias, contribuiu na construção e reconstrução de algumas delas, levou mudas nativas para serem plantadas no lugar dos eucaliptos; organizou seminários e produziu informativos e cartilhas sobre a verdadeira história e luta indígena, além de participar nas manifestações na Feira do Verde, evento ambiental que ocorre anualmente em Vitória, para denunciar os abusos e os problemas sociais e ambientais causados por Aracruz Celulose, Vale do Rio Doce, Petrobrás, dentre outras grandes empresas.

Vale ressaltar o apoio, a divulgação e a veiculação de notícias pelo Centro de Mídia Independente, Século Diário, Brasil de Fato, e poucos outros meios de comunicação que buscaram e buscam legitimar as vozes dos movimentos sociais, assim como suas lutas, diferentemente da mídia corporativa capixaba que sempre deixou claro a partir de suas matérias difamatórias, deturpadoras de fatos, que estavam e estão o tempo todo ao lado dos interesses dos grandes empresários.

Atualmente as terras reconquistadas passam por um estudo etnoambiental realizado pela Anaí ( Associação Nacional de Ação Indigenista) que conta com a participação de lideranças das comunidades Tupinikin e Guarani. A expectativa de começar o trabalho nas terras é grande, e as comunidades aguardam desde 2008. O estudo identificará as necessidades e elaborará projetos de sustentabilidade das famílias, buscando amenizar os prejuízos causados pela Aracruz. Além das condições da terra, op estudo avaliará também os impactosm ambientais e culturais causados pela monocultura do eucalipto, as formas de vida no passado, e como isso poderá ser resgatado, gerando sustentabilidade em meio à realidade indígena atual.

Contudo, a vitória indígena contra a gigante Aracruz Celulose é um incentivo a outros movimentos sociais locais comos quilombolas que lutam pelas suas terras invadidas pela mesma empresa, que se encontram ilhados em meio de eucaliptos e obrigados a catar restos do mesmo para fazer carvão destinado ao uso doméstico ou vendas para garantia de subsistência, uma vez que não tem terras para produzir e nem outro meio para sobreviverem. Sofrem também com o agrotóxico lançado pela empresa nas plantações, que causa morte de pessoas e destroi terra, água, solo, fauna e flora. O MPA que, com a expansão da empresa, criando sua 4ª fábrica no estado, luta pela redução da plantação de eucalipto e cana, e ampliação da área plantada com alimentos.A ação da multinacional provoca além do desastre ambiental, o social, que inclui a geração de poucos empregos com baixos salários,e a expulsão do homem do campo. E por fim, os/as trabalhadores/as da própria empresa, doentes por causa dos venenos agrícolas, que se sentem abandonados/as pelos seus sindicatos e não tem seus diretos reconhecidos pela Aracruz Celulose, pois não admite que suas doenças são ocupacionais. Além dos mutilados no trabalho, que realizaram serviços para a empresa e que agora passam necessidades.

Lembranças de outros Carnavais

A essa altura, até o ano passado, estaria organizando ou me preparando para participar do Carnaval Revolução. Foram seis anos de um evento voltado para a convergência de grupos e pessoas de ideais anarquistas e libertários. A partir de atividades diversificadas, com palestras, debates, oficinas, videos, shows, foi possível conhecer e fortalecer laços assim como trocar idéias, informações e conhecimento. Espaço organizado de maneira horizontal, autonomo, autogestionário. Essas vivências, assim como outras que tive enquanto morei em BH, foram muito importante para a minha formação pessoal e política. Infelizmente,nem todxs souberam aproveitar da mesma maneira que eu do Carnaval Revolução. Isso ficou bem claro no debate com os organizadores no final da última edição em SP. E para essas pessoas, digo que perderam tempo, perderam 6 anos da vida delas, por não saberem usufruir do evento de maneira positiva e por não entenderem o espírito do faça vc mesmo.

Antes da existência do Carnaval Revolução na minha vida eheh, apesar de nunca ter gostado de pular carnaval, lembro-me quando criança minha mãe me fantasiar de bailarina e me levar para clubes. No início da adolescência também cheguei a me fantasiar de havaiana e outras fantasias que já não me lembro bem. Mas o que realmente me marcou e ainda faço questão de ver são os blocos de rua. Aqui no meu bairro tem o Bloco do Papel Velho e o Bloco do Saco Roxo. Sempre animados, fantasias de materias reciclados, o velho barril de cachaça e muita gente animada seguindo o humilde trio elétrico. O bairro pára para ver o bloco passar.

Hoje passou o Bloco do Saco Roxo e me veio essas lembranças de outros carnavais. O resgate de algumas tradições são legais, valorizo os blocos e carnavais de rua.

Cineclube Central


Se tem um projeto local que não posso deixar de divulgar aqui é o Cineclube Central.

Organizado por um grupo de amigos, promovem no Teatro Municipal de Vila Velha exibição de vídeos alternativos, todas as quartas-feiras, às 20h. Eu participei de duas exibições, já que o dia e a hora coincidem com as aulas de yoga. A primeira partipação minha foi de cara com a exibição do Surplus que tinha também a proposta de um debate após o filme, mediado pelo Sandro, velho amigo meu, que é antropólogo, e vocalista da banda Mukeka di Rato. Foi muito boa essa experiência e agora sempre no final dos filmes exibidos rola alguma conversa, bate-papo. A segunda e última vez fui pra assistir Paradise Now (filme palestino) e Duas soluções para um problema (filme iraniano). Apesar de eu ter chegado atrasada, não ter visto o filme iraniano, e ter pego já começado o filme palestino, valeu muito a pena assistí-lo. Trata-se de um filme que retrata a vida de pessoas com  histórias de vidas marcadas pelas guerras e dogmatismo religioso, que rege toda a sua vida, principalmente a política do próprio país. De repente, o personagem principal acorda com a predestinação de ser um homem-bomba e o filme desenvolve a maior parte no ritual preparativo para esse grande dia e grande função tratada como honra para aquele povo. Chama atenção o diálogo, os conflitos e contrastes daquela realidade, e a decisão de seguir ou não aquela predestinação. Interessante também é a falta de uma trilha sonora eheh.

Para saber mais sobre esse projeto, acesse o blog aqui.

Comunidade no orkut aqui.

Verônica

Para me preparar psicologicamente para voltar a trabalhar esse ano, fui ao cinema assistir o filme brasileiro que saiu em cartaz: Verônica.

Segue a sinopse: VERÔNICA é professora da rede municipal de ensino há vinte anos e agora, na iminência de se aposentar e passando por sérios problemas pessoais, está exausta e sem a paciência de sempre. Um dia, na escola em que trabalha, ela percebe que ninguém veio buscar Leandro, um aluno de oito anos. Já é tarde da noite quando a professora decide levá-lo em casa. Ao chegar no alto do morro, encontram a polícia e muito tumulto. Traficantes mataram os pais de Leandro e querem matá-lo também. Verônica foge com o menino. Ela procura ajuda e descobre que a policia também está ligada ao assassinato dos pais do menino. Sem poder confiar em ninguém, ela decide esconder o garoto. Assim, Verônica é obrigada a enfrentar policiais e traficantes para sobreviver. E enquanto procura uma maneira de escapar com o menino, redescobre sentimentos que estavam adormecidos na sua vida solitária e difícil.

Jamais pensei que fossem reproduzir tao perfeitamente o cotidiano de uma escola publica de periferia como no filme. Cansada de filmes hollywoodianos com tramas em escolas, nas quais o diretor, o professor ou sei la quem, são os heróis, com uma visão muito romântica e distante de uma escola. Enquanto desenrolava o filme, não sabia se chorava ou se ria, pois me despertou várias sensações e sentimentos. Vale muito a pena conferir.

De volta ao tronco.

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Faz uma semana que voltamos as atividades na escola. Apesar de hj ser o 3o dia com  alunos, sinto-me bastante cansada pela correria que tem sido na escola para dar conta de organizar tudo para esse ano novo.Infelizmente nem tudo depende de mim, mas eu tb nao sou um exemplo de organização, mas tenho buscado dar conta dos meus afazeres mesmo que agora no inicio eu precise chegar mais cedo, sair mais tarde ou trazer alguma coisa pra casa.Agora é repirar fundo e seguir adiante.

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